Reconhecimento e superação da exploração capitalista em redes criativas de colaboração e produção | Recognizing and overcoming capitalist exploitation in creative networks of collaboration and production
[Liinc em Revista; v. 12, n. 1 (2016): Políticas de informação e marcos regulatórios da internet]
Política de Informação e Marco Regulatório da Internet |
Reconhecimento e superação da exploração capitalista em redes criativas de colaboração e produção | Recognizing and overcoming capitalist exploitation in creative networks of collaboration and production

Resumo: RESUMO O industrialismo, como chaga desumanizadora, vem sendo encarado como algo a ser vencido pelo menos desde o início do século XX (senão antes). O caminho para isso, para a superação da frieza mecânica das máquinas de ferro, explosão, fumaça e força, movidas por trabalho alienante, tem sido apontado como uma busca do entendimento do funcionamento e de “retorno” ao orgânico, a sistemas produtivos tidos como mais flexíveis, naturais, feitos de carne, sangue, calor e leveza. A modelagem feita sobre os sistemas biológicos e da vida subsidiou o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, e, respectivamente, esses sistemas têm sido usados como exemplares para explicar uma certa “natureza” das redes informáticas como auto-organizadas, evolucionárias e emergentes. Este texto busca inter-relacionar a analogia sobre sistemas de computação biológica – como desenvolvida por Tiziana Terranova –, tomada como o modo típico de gerenciamento dessas redes, com pesquisas de campo de caráter etnográfico que informam sobre laboratórios digitais e outros ambientes de produção colaborativa e reflexões de natureza política sobre relações de exploração econômica dadas nesses ambientes. O imaginário tecnoutópico, que funciona como pano de fundo para esses laboratórios e outros ambientes de criação, afirma as tecnologias de informação como instrumentos de combate à burocratização e à alienação da sociedade. Contudo, este trabalho procura ir além dessas imagens – questionando suas origens e pressupostos naturalizantes –, ao mesmo tempo que afirma as possibilidades de resistência e reinvenção diante do capitalismo informacional de matriz cibernética, contidas nos espaços de criação. Explora-se aqui a possibilidade de uma relação ambígua, por isso mesmo interessante, entre as tentativas de controle e extração produtiva, de gerenciamento capitalista de ambientes criativos, horizontalizados e emergentes, e a constituição de alternativas e de modos de vida paralelos e independentes da sociedade de consumo de mercadorias.As redes informacionais são, na atualidade, exploradas como máquinas de produção com comportamento emergente, não centralizado, e, por isso, criativas. Podem ser concomitantemente espaços de constituição de uma vida fora (e para além) do capitalismo?Palavras-chave: Cultura e Poder; Cibercultura; Economia Política; Internet; Trabalho.ABSTRACT Industrialism as a dehumanizing scourge has been seen since the early twentieth century (if not before) as something to be overcome. The road to overcome the mechanical coldness of the machines of iron, explosion, smoke and strength, fueled by alienating work, has been touted as a "return" to the organic, to production systems that are seen as more flexible, more natural, made of meat, blood, warmth and lightness. The functioning model of biological life systems has subsidized the development of information and communication technologies and these systems have been used as examples to explain a certain "nature" of computer networks as self-organizing, evolutionary and emerging systems. This article aims to discuss the analogy of biological computing systems as developed by Tiziana Terranova, taken as the typical way of managing creative networks. We use ethnographic field research on digital laboratories and other collaborative production environments and add to that political reflections on economic relations of exploitation that happen in these environments. The technoutopian imaginary, which acts as a backdrop to these laboratories and other creative environments, says information technology can be used as tools to combat bureaucratization and alienation in society. However, this paper seeks to go beyond these images  – questioning their origins and naturalized assumptions  – while claiming that resistance and reinvention are possible against the informational capitalism cyber matrix. We explore the possibility of an ambiguous relationship between attempts by capitalist management to control and extract value from horizontal and emerging spaces and the establishment of parallel and independent ways of life within capitalist society.Nowadays, information networks are being used as production machines with emergent and  decentralized behavior, therefore creative. Can they be concurrently set up as spaces for life outside (and beyond) capitalism?Keywords: Culture and Power; Cyberculture; Political Economy; Internet; Labour.

Palavras-chave: Cultura e Poder. Cibercultura. Economia Política. Internet. Trabalho.



Como citar
EVANGELISTA, R. A.; FONSECA, F. Reconhecimento e superação da exploração capitalista em redes criativas de colaboração e produção | recognizing and overcoming capitalist exploitation in creative networks of collaboration and production. Liinc em revista, v. 12, n. 1, 2016. DOI: 10.18617/liinc.v12i1.861 Acesso em: 28 set. 2022.

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DescriptorReconhecimento e superação da exploração capitalista em redes criativas de colaboração e produção | Recognizing and overcoming capitalist exploitation in creative networks of collaboration and production
EVANGELISTA, Rafael de Almeida; FONSECA, Felipe
Liinc em revista, n. 1, v. 12, 2016. (Política de Informação e Marco Regulatório da Internet |) (pt-BR) 3
Identificadorhttp://revista.ibict.br/liinc/article/view/3689 (pt-BR) 3
IdentificadorDOI: 10.18617/liinc.v12i1.861 (pt-BR) 3
TitleReconhecimento e superação da exploração capitalista em redes criativas de colaboração e produção | Recognizing and overcoming capitalist exploitation in creative networks of collaboration and production (pt-BR) 3
AuthorEVANGELISTA, Rafael de Almeida (pt-BR) 1
AuthorFONSECA, Felipe (pt-BR) 1
Access Linkhttp://revista.ibict.br/liinc/article/view/3689/3124 (pt-BR) 3
IssueLiinc em revista, n. 1, v. 12, 2016. (pt-BR) 2
Nome da PulicaçãoLiinc em revista (pt-BR) 1
SessãoPolítica de Informação e Marco Regulatório da Internet | (pt-BR) 1
Disponibilizado2016-05-31 (pt-BR) 1
hasAbstractRESUMO O industrialismo, como chaga desumanizadora, vem sendo encarado como algo a ser vencido pelo menos desde o início do século XX (senão antes). O caminho para isso, para a superação da frieza mecânica das máquinas de ferro, explosão, fumaça e força, movidas por trabalho alienante, tem sido apontado como uma busca do entendimento do funcionamento e de “retorno” ao orgânico, a sistemas produtivos tidos como mais flexíveis, naturais, feitos de carne, sangue, calor e leveza. A modelagem feita sobre os sistemas biológicos e da vida subsidiou o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, e, respectivamente, esses sistemas têm sido usados como exemplares para explicar uma certa “natureza” das redes informáticas como auto-organizadas, evolucionárias e emergentes. Este texto busca inter-relacionar a analogia sobre sistemas de computação biológica – como desenvolvida por Tiziana Terranova –, tomada como o modo típico de gerenciamento dessas redes, com pesquisas de campo de caráter etnográfico que informam sobre laboratórios digitais e outros ambientes de produção colaborativa e reflexões de natureza política sobre relações de exploração econômica dadas nesses ambientes. O imaginário tecnoutópico, que funciona como pano de fundo para esses laboratórios e outros ambientes de criação, afirma as tecnologias de informação como instrumentos de combate à burocratização e à alienação da sociedade. Contudo, este trabalho procura ir além dessas imagens – questionando suas origens e pressupostos naturalizantes –, ao mesmo tempo que afirma as possibilidades de resistência e reinvenção diante do capitalismo informacional de matriz cibernética, contidas nos espaços de criação. Explora-se aqui a possibilidade de uma relação ambígua, por isso mesmo interessante, entre as tentativas de controle e extração produtiva, de gerenciamento capitalista de ambientes criativos, horizontalizados e emergentes, e a constituição de alternativas e de modos de vida paralelos e independentes da sociedade de consumo de mercadorias.As redes informacionais são, na atualidade, exploradas como máquinas de produção com comportamento emergente, não centralizado, e, por isso, criativas. Podem ser concomitantemente espaços de constituição de uma vida fora (e para além) do capitalismo?Palavras-chave: Cultura e Poder; Cibercultura; Economia Política; Internet; Trabalho.ABSTRACT Industrialism as a dehumanizing scourge has been seen since the early twentieth century (if not before) as something to be overcome. The road to overcome the mechanical coldness of the machines of iron, explosion, smoke and strength, fueled by alienating work, has been touted as a "return" to the organic, to production systems that are seen as more flexible, more natural, made of meat, blood, warmth and lightness. The functioning model of biological life systems has subsidized the development of information and communication technologies and these systems have been used as examples to explain a certain "nature" of computer networks as self-organizing, evolutionary and emerging systems. This article aims to discuss the analogy of biological computing systems as developed by Tiziana Terranova, taken as the typical way of managing creative networks. We use ethnographic field research on digital laboratories and other collaborative production environments and add to that political reflections on economic relations of exploitation that happen in these environments. The technoutopian imaginary, which acts as a backdrop to these laboratories and other creative environments, says information technology can be used as tools to combat bureaucratization and alienation in society. However, this paper seeks to go beyond these images  – questioning their origins and naturalized assumptions  – while claiming that resistance and reinvention are possible against the informational capitalism cyber matrix. We explore the possibility of an ambiguous relationship between attempts by capitalist management to control and extract value from horizontal and emerging spaces and the establishment of parallel and independent ways of life within capitalist society.Nowadays, information networks are being used as production machines with emergent and  decentralized behavior, therefore creative. Can they be concurrently set up as spaces for life outside (and beyond) capitalism?Keywords: Culture and Power; Cyberculture; Political Economy; Internet; Labour. (pt-BR) 3
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